{"id":8690,"date":"2019-03-22T12:07:01","date_gmt":"2019-03-22T15:07:01","guid":{"rendered":"https:\/\/comunique-se.com.br\/blog\/?p=8690"},"modified":"2019-07-03T12:07:21","modified_gmt":"2019-07-03T15:07:21","slug":"que-licoes-tirar-do-caso-momo-e-o-suposto-video-de-suicidio-de-criancas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/comunique-se.com.br\/blog\/que-licoes-tirar-do-caso-momo-e-o-suposto-video-de-suicidio-de-criancas\/","title":{"rendered":"QUE LI\u00c7\u00d5ES TIRAR DO CASO MOMO E O SUPOSTO V\u00cdDEO DE SUIC\u00cdDIO DE CRIAN\u00c7AS"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Por Andr\u00e9 Rosa e Cassio Politi<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 motivo para se ter medo do mal que o conte\u00fado de v\u00eddeos online pode causar a crian\u00e7as. Abuso sexual, sequestro, assassinato, tr\u00e1fico de crian\u00e7as e outros crimes: nada disso \u00e9 fic\u00e7\u00e3o. &nbsp;Isso talvez explique uma onda de p\u00e2nico e de certa histeria observada no ambiente digital brasileiro na \u00faltima semana.<\/p>\n\n\n\n<p>Conv\u00e9m primeiro entender o caso.<\/p>\n\n\n\n<p>Boatos que tiveram origem no Reino Unido, em fevereiro, diziam que inser\u00e7\u00f5es de imagens assustadoras haviam sido feitas em v\u00eddeos infantis populares, como Peppa Pig e Baby Shark. Elas traziam a imagem da j\u00e1 famosa escultura japonesa Momo e ensinavam crian\u00e7as a se suicidar cortando os pulsos.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/blog.comunique-se.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/suposta-insercao-em-videos-infantis.jpeg\" alt=\"Caso Momo\" class=\"wp-image-3164\"\/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>A personagem Momo vem assustando n\u00e3o exatamente as crian\u00e7as, mas o adultos, e isso n\u00e3o \u00e9 de hoje.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/blog.comunique-se.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/escultura-momo.jpg\" alt=\"Caso Momo\" class=\"wp-image-3165\"\/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Em 2018, surgiram&nbsp;<a href=\"https:\/\/knowyourmeme.com\/memes\/momo-challenge\">lendas urbanas<\/a>&nbsp;segundo as quais a figura macabra que aparece na foto telefonava para pessoas e adicionar seu n\u00famero ao WhatsApp geraria consequ\u00eancias literalmente fatais. Surgiram memes de todos os tipos relacionados ao \u201cDesafio da Momo\u201d, tamb\u00e9m relacionado ao incentivo ao suic\u00eddio.<\/p>\n\n\n\n<p>A Momo \u00e9, na verdade, uma escultura criada em 2016 pelo artista japon\u00eas Keisuke Aiso e estava exposta na&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.vanilla-gallery.com\/\">Galeria Vanilla<\/a>, em T\u00f3quio. N\u00e3o est\u00e1 mais porque, ao ver a forma como sua cria\u00e7\u00e3o foi resignificada na internet, o autor tomou uma decis\u00e3o radical e a jogou no lixo.<\/p>\n\n\n\n<p>A Momo voltou \u00e0 cena n\u00e3o mais como a estrela principal de uma lenda urbana, mas como parte das inser\u00e7\u00f5es feitas em v\u00eddeo. O caso ganhou notoriedade no Brasil a partir de uma reportagem publicada no dia 18 de mar\u00e7o pela revista&nbsp;<a href=\"https:\/\/revistacrescer.globo.com\/Criancas\/Seguranca\/noticia\/2019\/03\/momo-aparece-em-videos-de-slime-do-youtube-kids-e-ensina-criancas-se-suicidarem.html\">Crescer<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>A reportagem traz relatos de uma professora que diz que sua filha ficou assustada ao se deparar com a inser\u00e7\u00e3o. E relata que soube via WhatsApp que essa onda j\u00e1 estava acontecendo no mundo todo.<\/p>\n\n\n\n<p>Na verdade, a onda em outros pa\u00edses havia passado antes mesmo de chegar ao Brasil. Uma reportagem do espanhol&nbsp;<a href=\"https:\/\/verne.elpais.com\/verne\/2019\/02\/28\/articulo\/1551377377_975555.html\">El Pa\u00eds<\/a>&nbsp;explica como surgiu o \u201cbulo\u201d (boato) sobre Momo e o suic\u00eddio infantil. Detalhe: a reportagem foi publicada em 28 de fevereiro, quase tr\u00eas semanas antes da mat\u00e9ria na Crescer.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/blog.comunique-se.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/el-pais-28-fevereiro.png\" alt=\"Caso Momo no el Pais\" class=\"wp-image-3162\"\/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Ainda assim, a onda de p\u00e2nico rapidamente se espalhou pelos grupos de WhatsApp, Intagram, Twitter e Facebook. O mais grave da hist\u00f3ria \u00e9 que, supostamente, a mensagem assustadora vinha inserida em v\u00eddeos oficiais, vistos por milh\u00f5es \u2014 ou bilh\u00f5es \u2014 de vezes no YouTube Kids, a vers\u00e3 da plataforma de v\u00eddeo para usu\u00e1rios de at\u00e9 13 anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso levou o YouTube a se manifestar, afirmando, no dia 18 de mar\u00e7o, que o v\u00eddeo jamais foi encontrado na plataforma infantil.<\/p>\n\n\n\n<p><em>\u201cDepois de muita an\u00e1lise, n\u00e3o vimos nenhuma evid\u00eancia recente de v\u00eddeos promovendo o Desafio Momo no YouTube. V\u00eddeos incentivando desafios prejudiciais e perigosos s\u00e3o claramente contra nossas pol\u00edticas, incluindo o desafio Momo. Apesar dos relatos da imprensa sobre esse desafio, n\u00e3o tivemos links recentes sinalizados ou compartilhados conosco do YouTube que violem nossas Diretrizes da comunidade.\u201d<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>O comunicado foi publicado tamb\u00e9m no Twitter.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"https:\/\/twitter.com\/YouTubeBrasil\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/pbs.twimg.com\/profile_images\/1138880260194414592\/5Tz49mV4_normal.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><\/figure>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/twitter.com\/YouTubeBrasil\"><strong>YouTube Brasil<\/strong><strong>\u2714<\/strong>@YouTubeBrasil<\/a><a href=\"https:\/\/twitter.com\/YouTubeBrasil\/status\/1106698628532453377\"><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Sobre o desafio Momo: n\u00e3o encontramos nenhum v\u00eddeo que promova um desafio Momo no <a href=\"https:\/\/twitter.com\/hashtag\/YouTubeKids?src=hash\">#YouTubeKids<\/a>. Qualquer conte\u00fado que promova atos nocivos ou perigos \u00e9 proibido no YouTube. Se encontrar algo parecido, denuncie.<a href=\"https:\/\/twitter.com\/intent\/like?tweet_id=1106698628532453377\">7.799<\/a><a href=\"https:\/\/twitter.com\/YouTubeBrasil\/status\/1106698628532453377\">20:28 &#8211; 15 de mar de 2019<\/a><a href=\"https:\/\/support.twitter.com\/articles\/20175256\">Informa\u00e7\u00f5es e privacidade no Twitter Ads<\/a><a href=\"https:\/\/twitter.com\/YouTubeBrasil\/status\/1106698628532453377\">2.186 pessoas est\u00e3o falando sobre isso<\/a><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Que conclus\u00e3o tirar?<\/h2>\n\n\n\n<p>Existem duas poss\u00edveis vers\u00f5es extremas para o caso. Uma d\u00e1 conta de que a mensagem macabra foi inserida nos v\u00eddeos de grande popularidade no YouTube e, por isso, alcan\u00e7ou um n\u00famero enorme de crian\u00e7as. N\u00e3o \u00e9 verdade. Seria tecnicamente imposs\u00edvel fazer essa inser\u00e7\u00e3o, ainda mais numa situa\u00e7\u00e3o em que o pr\u00f3prio YouTube est\u00e1 vigiando esses v\u00eddeos gra\u00e7as \u00e0 viraliza\u00e7\u00e3o do caso.<\/p>\n\n\n\n<p>O outro extremo \u00e9 o de que as inser\u00e7\u00f5es nunca existiram e que houve uma esp\u00e9cie de alucina\u00e7\u00e3o coletiva que afeta pais assustados. Tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 uma vers\u00e3o cr\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 mais fact\u00edvel acreditar que essas inser\u00e7\u00f5es tenham sido feitas em c\u00f3pias dos v\u00eddeos infantis, que acabam sendo acessados por crian\u00e7as antes de serem denunciados e removidos das plataformas onde existem.<\/p>\n\n\n\n<p>E a\u00ed entra um outro elemento, que \u00e9 um efeito perverso dos algoritmos. Com o aumento das buscas por um determinado conte\u00fado, \u00e9 maior a probabilidade de algu\u00e9m se deparar com ele.<\/p>\n\n\n\n<p>O bloqueio do v\u00eddeo acaba acontecendo, mas ele n\u00e3o bloqueia o compartilhamento. Pais que, assustados, compartilharam o v\u00eddeo ou prints dele em redes sociais e via WhatsApp acabaram levando a mensagem para al\u00e9m do alcance do bloqueio no YouTube. E a\u00ed o efeito viral acontece.<\/p>\n\n\n\n<p>O fato \u00e9 que boatos como a Momo n\u00e3o procuram as crian\u00e7as, mas os pais delas, perdidos com tudo o que \u00e9 ligado \u00e0 tecnologia, \u00e0s redes e aos games. Eles s\u00e3o muitas vezes incapazes de compreender o que est\u00e1 por tr\u00e1s de servi\u00e7os online. De outro lado, o respons\u00e1vel por essa iniciativa est\u00e1 conseguindo seu palanque. V\u00ea sua cria\u00e7\u00e3o ser espalhada, dentro ou fora do YouTube, gra\u00e7as ao medo (genu\u00edno) por tr\u00e1s. Uma multid\u00e3o gritando \u201c\u00e9 o lobo\u201d. E mesmo sendo uma inven\u00e7\u00e3o, agora ele j\u00e1 existe.<\/p>\n\n\n\n<p>A preocupa\u00e7\u00e3o dos pais \u00e9 compreens\u00edvel, mas o melhor a fazer, dizem especialistas, \u00e9 parar de repassar esses v\u00eddeos em grupos de WhatsApp e de public\u00e1-los no Facebook e no YouTube. Os v\u00eddeos existem, mas os pais acabam colaborando para a sua divulga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O que se sugere: n\u00e3o agir por impulso. Compartilhar significa ser instrumento de propaga\u00e7\u00e3o do medo. Quando agimos por impulso, o que era uma tentativa boa sai pela culatra. O mais importante \u00e9 pensar antes de compartilhar e pesquisar.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 importante saber que existem coisas como o meme que estimula o suic\u00eddio, ou os f\u00f3runs da deepweb, que re\u00fane potenciais autores de ataques. Mas quanto mais gente os conhece, maior o n\u00famero de potenciais usu\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p>Outra quest\u00e3o: crian\u00e7as n\u00e3o podem navegar pela internet desassistidas. H\u00e1 pais que n\u00e3o fazem ideia do que os filhos fazem na rede. O YouTube Kids n\u00e3o \u00e9 nada inofensivo. Sem controle parental devido, crian\u00e7as podem assistir a filminhos muito coloridos e persuasivos por longas horas. \u00c9 a busca pela visualiza\u00e7\u00e3o f\u00e1cil. Mesmo personagens famosos viram&nbsp;<em>mashups<\/em>&nbsp;em contas aleat\u00f3rias.<\/p>\n\n\n\n<p>Se existe um lado bom dessa pol\u00eamica, \u00e9 o fato de que alguns pais ficarem mais alertas sobre o uso da tecnologia por crian\u00e7as sem monitoramento.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Podcast-se<\/h2>\n\n\n\n<p>O tema deste post foi discutido na edi\u00e7\u00e3o #99 do Podcast-se, que voc\u00ea ouve abaixo.<\/p>\n\n\n\n<figure><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/widget.spreaker.com\/player?episode_id=17397531&amp;theme=light&amp;playlist=false&amp;playlist-continuous=false&amp;autoplay=false&amp;live-autoplay=false&amp;chapters-image=false&amp;episode_image_position=right&amp;hide-logo=true&amp;hide-likes=true&amp;hide-comments=true&amp;hide-sharing=false&amp;hide-download=true\" width=\"100%\" height=\"130px\"><\/iframe><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Andr\u00e9 Rosa e Cassio Politi H\u00e1 motivo para se ter medo do mal que o conte\u00fado de v\u00eddeos online pode causar a crian\u00e7as. 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